Câncer de Pele

Câncer de pele: sinais de alerta, diagnóstico e cirurgia

Em Fortaleza, o sol intenso durante todo o ano é um fator de risco real e cotidiano. Entender os sinais de alerta do câncer de pele pode fazer diferença entre um diagnóstico precoce — com tratamento simples — e uma doença mais avançada.

 Escrito por Dr. Túllio Sampaio — Cirurgião de Cabeça e Pescoço, CREMEC 14.872

Visão geral

O que é o câncer de pele?

O câncer de pele é a neoplasia maligna mais frequente no Brasil — dado amplamente documentado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA). Surge quando células da pele sofrem mutações genéticas, frequentemente provocadas pela exposição excessiva à radiação ultravioleta do sol.

Existem três tipos principais: o carcinoma basocelular, o carcinoma espinocelular e o melanoma. Cada um tem características clínicas, comportamento biológico e tratamento distintos. O diagnóstico correto e precoce é o fator mais importante para o prognóstico.

Em Fortaleza, a exposição solar é intensa durante todos os meses do ano. Pessoas com pele clara, histórico de queimaduras solares, muitos sinais (nevos) ou histórico familiar de melanoma têm risco aumentado — mas qualquer pessoa pode desenvolver câncer de pele.

Prevenção é o primeiro tratamento

O uso diário de protetor solar com FPS 30 ou maior, a reexposição a sol em horários de pico (10h–16h) e o uso de roupas de proteção são medidas simples e eficazes para reduzir o risco de câncer de pele.

Classificação

Tipos de câncer de pele

Os três tipos principais têm origens celulares e comportamentos distintos. Reconhecer suas características é o primeiro passo para identificar uma lesão suspeita.

Carcinoma basocelular (CBC)

O tipo mais comum de câncer de pele. Origina-se nas células da camada basal da epiderme. Cresce lentamente e raramente se dissemina para outros órgãos, mas pode destruir tecidos e estruturas locais se não tratado — especialmente na face. Apresenta-se tipicamente como uma lesão perolada, translúcida, avermelhada ou ulcerada, com bordas bem definidas e vasinhos visíveis (telangectasias). Altamente associado à exposição solar crônica.

Carcinoma espinocelular (CEC)

Segundo tipo mais comum, origina-se dos queratinócitos da camada espinhosa. Pode surgir em pele aparentemente normal, em cicatrizes antigas ou em lesões pré-malignas como ceratoses actínicas. Tem maior potencial de metástase para linfonodos regionais do que o basocelular — especialmente em lesões maiores, mais espessas ou em localizações de maior risco (lábio, ouvido, couro cabeludo). Aparece como lesão avermelhada, endurecida, com superfície escamosa ou ulcerada.

Melanoma

O tipo mais agressivo de câncer de pele, embora menos frequente. Origina-se dos melanócitos — células produtoras de pigmento. Tem alta capacidade de disseminação para linfonodos e órgãos distantes (pulmão, fígado, cérebro) quando não diagnosticado precocemente. O diagnóstico precoce é determinante para o prognóstico. Apresenta-se como mancha escura, assimétrica, com bordas irregulares e múltiplas cores — embora existam formas amelanóticas (sem pigmento).

Identificação

Sinais de alerta: a regra ABCDE e outros sinais

A regra ABCDE é um guia clínico criado para ajudar a identificar lesões pigmentadas suspeitas de melanoma. Deve ser utilizada como orientação, mas não substitui a avaliação médica especializada.

Regra ABCDE do melanoma

A

Assimetria

Uma metade da lesão não é espelho da outra.

B

Bordas irregulares

Contornos imprecisos, entalhados ou mal definidos.

C

Cor variada

Múltiplos tons dentro da mesma lesão: marrom, preto, vermelho, branco ou azul.

D

Diâmetro

Lesão maior que 6 mm — embora melanomas menores também ocorram.

E

Evolução

Qualquer mudança em tamanho, forma, cor ou sintoma (coceira, sangramento) em um sinal existente.

Outros sinais de alerta

Ferida que não cicatriza

Lesão que abre, fecha parcialmente e reabre repetidamente — sinal clássico de carcinoma basocelular.

Lesão que sangra espontaneamente

Sangramento sem trauma em lesão de pele merece avaliação imediata.

Lesão avermelhada perolada

Aspecto translúcido ou brilhante, com vasinhos visíveis ao redor — padrão frequente do basocelular.

Lesão endurecida e escamosa

Pode representar carcinoma espinocelular ou ceratose actínica — lesão pré-maligna que deve ser tratada.

Quando em dúvida, consulte

Se você identificou qualquer lesão que se enquadra nos critérios acima — ou simplesmente se sentiu preocupado com algo na sua pele — não espere. O diagnóstico precoce do câncer de pele, especialmente do melanoma, é o principal determinante do prognóstico.

Quando consultar

Quando procurar um cirurgião de cabeça e pescoço

O Cirurgião de Cabeça e Pescoço é o especialista treinado para a excisão de lesões malignas da pele na face, pescoço, couro cabeludo e orelhas — com técnicas cirúrgicas que buscam margens adequadas e o melhor resultado funcional e estético.

  • Lesão suspeita pela regra ABCDE
  • Ferida que não cicatriza em 4 a 6 semanas
  • Lesão que sangra sem trauma
  • Diagnóstico de câncer de pele confirmado por biópsia
  • Histórico pessoal de câncer de pele
  • Histórico familiar de melanoma
  • Pele clara com muita exposição solar acumulada
  • Sinal que mudou de cor, forma ou tamanho
Investigação

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico definitivo do câncer de pele sempre requer análise histopatológica (estudo microscópico do tecido) — nenhum exame de imagem substitui a biópsia.

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Avaliação clínica e dermatoscopia

O exame clínico da lesão, complementado pela dermatoscopia (lupa de alta resolução que analisa estruturas não visíveis a olho nu), é o ponto de partida para a suspeita diagnóstica e para a decisão de indicar biópsia.

2

Biópsia com análise histopatológica

É o exame que confirma o diagnóstico. Pode ser excisional (retirada completa da lesão, preferível quando possível) ou incisional (retirada de fragmento representativo para análise). O resultado informa o tipo de câncer, a espessura (índice de Breslow, no caso do melanoma) e as margens cirúrgicas.

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Biópsia do linfonodo sentinela (melanoma)

Em casos de melanoma com espessura adequada pelo índice de Breslow, a biópsia do linfonodo sentinela é indicada para verificar se houve disseminação microscópica para os gânglios regionais. É realizada no mesmo tempo cirúrgico da excisão ampliada.

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Exames de estadiamento (quando necessários)

Em casos de melanoma de maior risco ou carcinoma espinocelular avançado, pode ser necessária tomografia, PET-CT ou ressonância para avaliar comprometimento de linfonodos e possíveis metástases à distância.

Abordagem cirúrgica

Tratamento cirúrgico do câncer de pele

A cirurgia é o principal tratamento para todos os tipos de câncer de pele. O objetivo é remover o tumor com margens cirúrgicas adequadas — garantindo que não reste doença — e reconstruir o defeito resultante da forma mais funcional e estética possível.

Excisão cirúrgica com margens de segurança

Remoção do tumor com margens de tecido saudável ao redor, definidas pelo tipo e espessura do tumor. As margens variam: são mais estreitas no carcinoma basocelular de baixo risco e mais amplas no carcinoma espinocelular de alto risco e no melanoma (definidas pelo índice de Breslow).

Reconstrução do defeito cirúrgico

Após a excisão, o defeito pode ser fechado diretamente (sutura simples), com retalho local (deslocamento de pele vizinha) ou com enxerto de pele (transferência de pele de outra área). A escolha da técnica depende do tamanho e localização da lesão — na face e pescoço, o planejamento reconstrutivo é parte essencial da abordagem cirúrgica.

Esvaziamento cervical (dissecção linfonodal)

Indicado quando há comprometimento dos linfonodos do pescoço — seja clinicamente detectado ou confirmado pela biópsia do linfonodo sentinela. Remove grupos linfonodais específicos do pescoço para controle regional da doença.

Por que operar com Cirurgião de Cabeça e Pescoço?

Lesões de pele na face, pescoço, couro cabeludo e orelhas estão em regiões anatomicamente complexas, com nervos, vasos e estruturas importantes próximas. O Cirurgião de Cabeça e Pescoço tem treinamento específico para ressecção com margens adequadas e reconstrução dessas áreas — garantindo tanto o controle oncológico quanto o resultado funcional e estético.

Dúvidas frequentes

Perguntas frequentes sobre câncer de pele

Respostas objetivas às dúvidas mais comuns dos pacientes.

Sim. Uma lesão que não cicatriza em 4 a 6 semanas é um sinal de alerta que deve ser investigado — especialmente em áreas de exposição solar como face, pescoço e couro cabeludo. O carcinoma basocelular frequentemente se apresenta como uma ferida que abre, melhora parcialmente e reabre. Nunca ignore uma lesão persistente na pele.

O carcinoma basocelular é o mais comum e raramente se dissemina para outros órgãos — mas pode destruir tecidos locais se não tratado. O carcinoma espinocelular tem maior potencial de metástase para linfonodos regionais se não tratado precocemente. O melanoma é o menos frequente dos três, mas o mais agressivo — com capacidade de disseminação a distância quando diagnosticado tardiamente. Em todos os casos, o tratamento precoce é determinante para o resultado.

Sim. O Ceará tem elevada incidência solar durante todos os meses do ano. A exposição acumulada à radiação ultravioleta ao longo da vida é o principal fator de risco para câncer de pele — especialmente o basocelular e o espinocelular. O uso diário de protetor solar (FPS 30 ou maior), mesmo em dias nublados, é a medida preventiva mais eficaz e acessível.

Toda cirurgia deixa uma cicatriz. O objetivo do Cirurgião de Cabeça e Pescoço é remover o tumor com margens seguras e, ao mesmo tempo, planejar o fechamento da ferida da forma mais estética possível — utilizando incisões em linhas naturais da pele, retalhos locais ou enxertos quando necessário. A cicatriz final depende do tamanho e localização da lesão, mas o controle oncológico é sempre prioridade sobre o resultado estético.

Não. Você pode agendar diretamente pelo WhatsApp ou telefone, sem necessidade de encaminhamento médico. Se identificar qualquer lesão suspeita na pele — ferida que não cicatriza, mancha que mudou, lesão com bordas irregulares — não aguarde o encaminhamento. O diagnóstico precoce tem impacto direto e significativo no resultado do tratamento.

Identificou uma lesão suspeita? Não espere para consultar.

Dr. Túllio Sampaio, Cirurgião de Cabeça e Pescoço (CREMEC 14.872).
Harmony Medical Center – Av. Dom Luís, 1233, Sala 1210 – Aldeota, Fortaleza – CE.

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